O Casamento, o Masculino e o Feminino.

O casamento é para Jung, um importante caminho no processo de individuação, e este nada tem de individualismo, senão vejamos:

No momento da concepção recebemos uma carga genética de 23 cromossomos masculinos e 23 cromossomos femininos, além de hormônios masculinos testosterona e andrógeno, e  femininos progesterona e estrógeno.

Dessa forma a carga genética, a biológica, e igualmente a psiquê são constituídas por essa herança de opostos, que no campo psíquico são chamados masculino (animus) e
feminino (anima), e todos precisam estar em equilíbrio.

O homem projeta esses potenciais psíquicos femininos como subjetividade, amorosidade, espiritualidade, primeiramente em sua mãe, e posteriormente em sua parceira. Do mesmo modo a mulher projeta seu potencial masculino como aspectos de realidade, físicos, organização etc,  em seu pai, e depois em seu parceiro.

Não menos comuns são os sentimentos de “ele não chega aos pés de meu pai”, ou “ela não é suficientemente boa como minha mãe”.

No entanto isto é apenas uma projeção de seu próprio ser, uma imagem idealizada e atávica de masculino e feminino, em uma condição completamente inconsciente de seu Eu, seu Self ou si mesmo, na relação com o sexo oposto.

 Por isso o que num primeiro momento a relação do casal pode ser uma paixão, em outro uma decepção ou frustração, à medida que os parceiros dão mostras de não corresponder às necessidades internas de ser o que foi idealizado pelo outro.

A dinâmica psíquica na relação de um casal é importante para que a essência do verdadeiro Eu, os conteúdos internos anima e animus de ambos, possam florescer de forma consciente além dessa projeção, sair da condição de inconsciência, e o
casamento fornece subsídios psíquicos suficientes, mesmo através de conflitos e
angústias, para transpor essa barreira e encontrarem-se.

Ritmos e papéis desempenhados na vida moderna, muitas vezes invertidos, distanciam homem e mulher de suas essências. Não raro o homem sentir que está aquém de sua
posição de masculino, e a mulher em ser feminina.

Com a perda desses referenciais, corpo e mente sofrem.

Por isso a importância do processo terapêutico, para resgate dessa identidade, equilíbrio dos próprios ritmos, e vida saudável.

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